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Quarta-feira, Abril 1, 2026

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Denúncias apontam alegado esquema de manipulação de igrejas com possível envolvimento do INAR

Documentos e testemunhos recebidos nas últimas semanas por esta redação denunciam um alegado esquema de manipulação de estatutos de igrejas em Angola, com possível envolvimento interno no Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR). As informações apontam para práticas fraudulentas, incluindo alteração de identidades religiosas e de lideranças, em troca de vantagens ilícitas.

Um dos casos mais evidentes envolve a Congregação Evangélica da Fé em Jesus Cristo em Angola, fundada a 24 de maio de 1988 pelo reverendo Passifu Miguel e reconhecida oficialmente em 1992, conforme o Diário da República Iª Série nº 46/92, de 14 de outubro. Segundo o dossiê analisado, após a morte do fundador, em 1997, a igreja terá entrado num período de fragilidade administrativa, durante o qual documentos originais terão sido apropriados e posteriormente alterados.

Entre as alegadas mudanças constam a substituição do fundador por William Branham, alterações doutrinárias, mudanças na liderança e na estrutura organizativa, além da modificação da identidade original da instituição. As transformações, segundo as fontes, terão descaracterizado a essência da igreja.

Fontes ligadas ao processo referem “indícios claros de manipulação documental”, com o objetivo de reconfigurar a identidade da congregação e associá-la a outra confissão religiosa já reconhecida no país. As denúncias apontam ainda para um esquema recorrente, com alegado envolvimento de funcionários do INAR, sendo citado Adriano Bernardo Adão António, chefe do Departamento de Acompanhamento às Confissões Religiosas.

No âmbito da investigação, a equipa de reportagem tentou contactar a liderança da Igreja Mensagem do Último Tempo, sem sucesso. No entanto, fontes próximas indicam que a igreja se considera alvo de perseguição por reivindicar os seus direitos, acrescentando que o seu líder terá recorrido aos tribunais para dirimir o litígio.

Por outro lado, contactos com pastores da congregação visada apontam para a alegada entrada de líderes identificados como “branamistas”. Estes são acusados de impor uma nova doutrina com suposto respaldo institucional. Há também relatos de intimidação, com líderes e fiéis a afirmarem temer represálias, incluindo o eventual encerramento de templos ou afastamento de pastores.

Face à gravidade das acusações, especialistas e fontes ouvidas defendem a necessidade de uma investigação aprofundada para apurar responsabilidades, travar eventuais irregularidades e garantir a legalidade no setor religioso.

O caso levanta ainda questões sobre os possíveis beneficiários destas práticas e sobre a eficácia dos mecanismos de controlo existentes, temas que deverão ser aprofundados em próximas reportagens.

C/Club-K.

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