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Segunda-feira, Abril 20, 2026

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Bié: Sobas denunciam interferência no poder tradicional na Lúbia – Administrador acusado de destituir regedor

O regedor do município da Lúbia, província do Bié, Chilombe Samulumba Nganda “Welema”, 10º Ngana na história da tribo dos songos, denuncia interferência da administração municipal no poder tradicional e proibição do uso de farda de soba.

“Welema”, que falava a margem de uma conferência de imprensa, esclarece que em Angola, o poder tradicional é independente. “Desde os nossos ancestrais, o poder é absolutamente dos songos, infelizmente desde o ano de 2002, fomos usurpado pela tribo tchokwe, agora em conivência da administração local”, disse.

O Ngana, diz estar oprimido, submetido e impedido de exercer o sobado, pela administração municipal da Lúbia, liderado por Alfredo Cussomba Viera Capitango, desde 2024, data em que a então comuna da Lúbia, foi elevado a categoria de município, no quadro da nova divisão político-administrativo.

O soba grande, recorda que muito recentemente foi convocado a comparecer no município da Nharea, para presenciarem uma campanha de patenteamento dos sobas. “Quando chegamos, fomos agredidos e levados ao comando municipal da Polícia Nacional”.

Avança que em Ombala, o seu conselheiro Júlio Alfredo, foi uma das vítimas das agressões e que apesar de ser registar a denúncia no comando municipal da Nharea, o comandante desconsiderou o caso, por entender ser insignificante, mesmo o homem estando ensanguentado.

O 10º Ngana, denuncia que já foi chamado pelo comando municipal da Polícia Nacional e daí foi proíbido de usar farda de soba, sob pena de ser detido. O mesmo aconteceu com a Administração municipal, onde foi igualmente três vezes notificado a aparecer e proíbido de se apresentar como regedor.

Chilombe Samulumba Nganda “Welema”, questiona, “meu poder é tradicional, vou depender da administração municipal ou de um administrador que me encontrou no território?”

O sobado de “Welema”, acusa a administração de tribalismo e parcialidade, no sentido que mostra mais preferência para a tribo dos tchokwe (visitantes), em detrimento dos songos (nativos).

Em contacto via telefônica, o administrador, Alfredo Cussomba Capitango, disse que não estava na Lúbia, entrentanto, se encontrava no município sede daquela província, tendo mostrado disponibilidade em falar, caso a equipa de jornalistas se deslocassem ao Cuito.

Depois do colectivo de jornalistas ter percorrido mais de 6 horas de estrada do agora município da Lúbia ao Cuito, na sexta-feira, o administrador deixou de atender às chamadas e horas depois, enviou uma mensagem, dizendo que estava a participar de um seminário, que o impossibilitava de prestar qualquer declarações.

O município da Lúbia, nasceu da nova divisão político-administrativo, levado acabo pelo Executivo angolano em 2024, antes comuna da província da Nherea.

Lúbia é um município rico em diamentes, apesar disso, os mais de oito mil habitantes, precisam de tudo um pouco, desde vias de acessos, energia eléctrica, água potável, comunicação e bancos comerciais.

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