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Sexta-feira, Março 6, 2026

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Venda de espaços nas centralidades: Jornalista Siona Jr. manda carta aberta ao Presidente da República

Excelentíssimo Senhor Presidente, Escrevo-lhe como cidadão atento, como filho do Sambizanga, e como alguém que acredita no projeto político do MPLA.

Dirijo-me com respeito institucional, mas também com profunda preocupação e repúdio diante do que está a acontecer em zonas estratégicas do desenvolvimento urbano do Icolo e Bengo.

O Executivo do MPLA construiu o Zango e diversas centralidades à sua volta – 8.000, Sequele e Vida Pacífica – com o objetivo claro de garantir habitação condigna, organização territorial e estabilidade social para milhares de famílias angolanas.

São infraestruturas que representam investimento público, visão estratégica e compromisso com o povo. Porém, é triste constatar que alguns administradores locais – que são simultaneamente militantes do MPLA – parecem estar a desvirtuar esse legado. Refiro-me, com sentido de responsabilidade cívica, aos administradores do Calumbo e do Sequele, nomeadamente Francisco Chipilica e Mano Adão, que, segundo denúncias recorrentes nas comunidades, estariam a permitir a venda de terrenos destinados a fins sociais a cidadãos estrangeiros, sem critério claro nem transparência.

Terrenos que deveriam servir para: Construção de centros de saúde Espaços de lazer para crianças Lojas de registo Esquadras policiais Infraestruturas comunitárias essenciais Estão, alegadamente, a ser comercializados numa normalidade preocupante.

Senhor Presidente, Se tal prática se confirmar, trata-se de uma afronta directa ao esforço do Executivo que Vossa Excelência lidera.

Trata-se de um desalinhamento claro com a visão de governação que tem defendido – de moralização da sociedade, combate à corrupção e valorização do interesse público.

Mais grave ainda: estas decisões locais podem estar a minar a confiança das comunidades no seu mandato e no próprio MPLA. O povo não distingue facilmente entre o Executivo central e os administradores municipais. Quando há má gestão ao nível local, a responsabilidade política recai inevitavelmente sobre a liderança máxima. Não se trata de atacar pessoas, mas de defender princípios.

Angola precisa de desenvolvimento sustentável, de estabilidade ambiental e de planeamento urbano responsável. Não podemos permitir que interesses individuais ou económicos se sobreponham às necessidades colectivas.

Senhor Presidente, a história é implacável com quem fecha os olhos aos sinais vindos da base. Esta carta é um apelo à fiscalização rigorosa, à reposição da legalidade e ao realinhamento dos quadros que eventualmente estejam a comprometer o seu projeto político.

Com firmeza, mas com respeito institucional,

Um abraço patriótico,

Siona Júnior Filho do Sambizanga

Também conhecido por Buda do Jornalismo Angolano.

qCom orgulho e responsabilidade cívica acima de tudo.

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