Numa iniciativa que busca desmistificar o papel da psicologia na sociedade angolana, foi realizada recentemente uma sessão de psicoterapia em grupo com foco no “valor da amizade e a riqueza emocional que ela proporciona”.
O evento, ocorrido na Igreja Católica, junto ao Beiral, em Luanda, reuniu um público numeroso para discutir como as conexões humanas fundamentais influenciam directamente o bem-estar e a longevidade.
Segundo o psicólogo Emanuel Capita, a amizade é definida como uma ligação entre duas ou mais pessoas unidas por um núcleo fundamental, que pode ou não ser consanguíneo e que resulta em algo que proporcione bem-estar.
A relevância do tema para a saúde mental é absoluta. Segundo o psicólogo, quem possui amigos verdadeiros vive mais tempo, isso ocorre porque bons amigos têm a natureza de transmitir energias positivas, elevar a autoestima e oferecer suporte em momentos críticos, o que impacta profundamente o equilíbrio emocional
“A verdade é que quem tem muitos amigos não tem nenhum”, explicou o palestrante, sublinhando que, em momentos de dificuldade, a presença de um único amigo fiel é mais valiosa do que uma multidão de contactos que podem não aparecer quando solicitados.
O mestre em psicologia e professor Germano Pinto convidado na última psicotetapia em grupo, destacou o papel crucial da psicologia no tratamento de comportamentos antissociais e na regulação dos processos mentais na sociedade actual.
Definindo a psicologia como a ciência do comportamento, Pinto afirma que o profissional da área deve ser chamado a intervir sempre que a acção humana exigir compreensão, explicação ou transformação.
Segundo o especialista, a necessidade de psicólogos nas instituições angolanas, sejam elas governamentais ou privadas é cada vez mais evidente.
O desafio da valorização e o reconhecimento legal
Apesar da importância da área, Pinto aponta que ainda existe uma desvalorização do mercado e um desconhecimento por parte dos decisores políticos e das instituições. Para o professor, a solução para este dilema passa, obrigatoriamente, por dois pilares:
Reconhecimento legal, no caso a institucionalização da Ordem dos Psicólogos de Angola e a criação de diplomas legais que validem a profissão e a integração efectiva de psicólogos em todos sectores onde o comportamento humano é o foco.



