Um cidadão angolano de 34 anos, identificado por Afonso Neves Congo, viu a sua vida desmoronar no dia 18 de maio de 2020, quando, sem razões aparente foi atacado por indivíduos (identificados) que simplesmente o lançaram fogo ao longo da via pública e colocaram-se em fuga.
Congo, conta que no referido dia, saia de um ATM quando foi abordado por Walter José Luís, conhecido por (Conadá) e seus amigos, sem trocarem impressões, recorda que simplesmente, banharam-lhe com gasolina e em seguida atearam fogo.
O jovem que até hoje vive as consequências daquele acto bárbaro, recorda que mesma com chamas, correu atrás dos acusados, tendo conseguido identificar a residência de um dos autores, no caso, o do filho de um Comissário da Polícia Nacional.
“No portão do acusado, fui indagado pelo seu pai que ao me ver em chamas, pediu-me que tirasse a camisa e se jogasse ao chão, cumpri a orientação e em seguida a chama apagou e fui aconselhado pelo mesmo senhor a abrir uma queixa crime”.
Recorreu a esquadra, onde prontamente foi acolhido por efectivos que se disponibilizaram em irem ao local para proceder a detenção dos acusados, para supresa de Congo, os efectivos terão reconhecido a residência e recordaram que seu proprietário foi Comandante daquele município em causa (Cacuaco).
O jovem, diz que os efectivos mudaram de rota e simplesmemte o levaram ao hospital de Cacuaco que posteriormente foi transferido para o hospital dos queimados no Zango II (Casa Amarela) dada a gravidade do caso.
Quatro meses se passaram, o jovem electrecista de profissão com uma queimadura de 2º grau, avaliado em 48% de superfície corporal, tendo acometido o couro cabeludo, a face, tronco e os membros superiores e inferiores, recebeu alta médica e com auxílio do Advogado David Mendes conseguiu dar vida ao processo que se encontrava em estado de sonolência.
Walter José Luís mais conhecido por ‘Conadá’ passou a responde no processo crime nº 122/21 que chegou até 15ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda Dona Ana Joaquina.
No dia 21 de Novembro de 2021, decorreu a prineira sessão de julgamento, entretanto, passado um ano, isso no dia 10 de Dezembro de 2022, Walter José Luís foi condenado com pena de 10 anos de prisão pelos crimes de ofensa a integridade física e tentativa de homicídio qualificado.
O arguido foi também condenado a pagar uma indemnização de 2.000.000 kwanzas (dois milhões), em reparação aos danos causados, quantia rejeitada pelo advogado do queixoso por entender ser insuficiente.
Afonso Congo conta que foi informado sobre a transferência do processo para o Supremo, porém, encontra dificuldade sempre que tenta consultar o processo, o que segundo o jovem levanta suspeita sobre a possível desconfiação de que o acusado esteja em liberdade e a fazer novas vítimas. De acordo com relatos, Afonso Congo é a terceira vítima de Conadá e a única a sobreviver.
“Há cinco anos que aguardo que se faça justiça”
Congo revela que espera por justiça há cinco anos, recorda que o ‘barco’ ficou parado até hoje e que precisa urgentemente de cirurgias para aliviar o impacto das cicatrizes, porém, não tem poder financeiro e muito menos a indemnização foi paga.
Pai de três filhos, esposa e profissional de mãos cheias, diz estar impossibilitado de manter o pão sobre a mesa, por sofrer bullying todas vezes que sai às ruas.
Apesar da profissão e a carta de condução, Congo diz ter sido rejeitado nas empresas sempre que tenta encontrar uma vaga.
Lança grito de socorro ao Presidente da República, João Lourenço, a Ministra da Saúde, Silvia Lutukuta e a sociedade no geral, bem como de modo particular ao poder jidicial angolano.



