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Domingo, Janeiro 25, 2026

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A nova cara do poder em Moçambique: Sombras, influências e o desafio da verdade institucional

Enquanto Moçambique enfrenta o surgimento de um “Estado dentro do Estado” liderado por figuras sem ‘mandato’. Para muitos observadores da política moçambicana, assiste-se actualmente à consolidação de um poder ‘informal’ que ameaça ultrapassar a própria institucionalidade do Estado.

Este fenómeno tem criado um ambiente onde decisões cruciais são influenciadas por actores sem responsabilidade pública e sem limites claros, operando num vácuo de transparência.

Enquanto redes de influência informal ganham terreno nos corredores do poder moçambicano, a gestão de casos nem sempre acompanha o clamor público.

Durante décadas, Moçambique habituou-se a conviver com figuras que se movem silenciosamente nos bastidores. No entanto, o cenário actual aponta para a emergência de uma nova constelação de influências informais que, com uma ousadia sem precedentes, têm moldado o destino de sectores estratégicos do Estado.

O Poder dos “arquitetos do sistema paralelo” Segundo relatos de empresários e funcionários públicos, estas figuras que não detêm cargos formais, não foram eleitas e não respondem ao escrutínio público, actuam como autênticos ministros sem pasta.

O seu raio de acção incide sobre pressão nos investimentos e concessões, a manipulação de processos administrativos e económicos e o condicionamento de decisões que deveriam ser estritamente institucionais.

Este fenómeno de poder paralelo cria um ambiente onde o Estado corre o risco de se transformar num espaço de favores e ameaças veladas, em detrimento do interesse nacional.

No centro destas denúncias surgem nomes que operam como intermediários entre interesses privados e a esfera pública, desafiando a transparência das instituições.

Entre os nomes, destaca-se a ascensão de Alcides Viegas Chihono, conhecido nas lides dos desportos como “Cantoná’ ex-futebolista, agora lobista político, actualmente entre os rostos mais visíveis deste novo contexto do governo moçabincano.

 

A sua trajetória é descrita por muitos como o retrato da ascensão de um poder paralelo. De jogador de futebol modesto, Cantoná reinventou-se como lobista e empresário, exibindo hoje sinais exteriores de riqueza como carros de luxo e imóveis em várias províncias que, segundo fontes empresariais, são incompatíveis com o seu histórico financeiro conhecido.

 

Relatos recorrentes apontam para uma alegada interferência de Cantoná nas nomeações e decisões estratégicas do Estado, concessão de isenções fiscais, intermediação de investimentos estrangeiros provenientes de grupos da Nigéria, Angola e China.

 

Apelidado por “primeiro-ministro informal”, Cantoná, influencia a estrutura central do governo, a sua influência parece crescer à sombra do poder político, levantando questões sobre a origem da sua fortuna e as suas alegadas ligações passadas a actividades ilícitas, frequentemente abafadas por proteções de alto nível.

 

Iª Parte

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