Cheias no rio Cavaco, resultado das últimas chuvas que assolaram a província de Benguela, desperta preocupação sobre os desafios climáticos do imponente Corredor do Lobito.
A organização Minuto Verde, mostra-se preocupado com a possível tendência de alterações climáticas na região do Corredor do Lobito, olhando para as consequências das cheias resultado do transbordo do rio Cavaco.
“Os recentes episódios de chuvas intensas que assolaram a província de Benguela, provocando inundações, destruição de infra-estruturas e interrupções temporárias da circulação ferroviária, vieram demonstrar de forma inequívoca que as alterações climáticas deixaram de constituir uma ameaça futura para se tornarem uma realidade presente, com impactos directos sobre as infra-estruturas críticas do país”, lê-se na nota.
A organização reconhece que o Corredor do Lobito representa actualmente uma das mais importantes infra-estruturas estratégicas de Angola e da África Austral, desempenhando um papel fundamental na integração económica regional, no escoamento de minérios provenientes da República Democrática do Congo e da Zâmbia, bem como na promoção do comércio, investimento e desenvolvimento socioeconómico dos territórios abrangidos pela linha férrea.
Entretanto, apela que o Corredor do Lobito deve servir de canal de integração da variável climática em todos os processos de planeamento, construção, manutenção e expansão das infra-estruturas nacionais.
A organização entende igualmente que a protecção do Corredor do Lobito não depende apenas de intervenções técnicas ao longo da linha férrea.
“É necessário investir na gestão sustentável das bacias hidrográficas, na preservação das florestas, na recuperação de ecossistemas degradados e no ordenamento adequado do território. *Ecossistemas saudáveis funcionam como barreiras naturais contra inundações, erosão e outros impactos climáticos, reduzindo os riscos para as infra-estruturas e para as populações”.
Cada interrupção do Corredor do Lobito representa perdas económicas para Angola, para os países vizinhos e para os investidores que dependem desta importante rota logística internacional.
Por esta razão, a Minuto Verde recomenda que as futuras intervenções no Corredor do Lobito sejam acompanhadas por avaliações periódicas de risco climático, programas de monitorização ambiental e mecanismos permanentes de adaptação às alterações climáticas.
“Defendemos igualmente o fortalecimento da cooperação entre os operadores ferroviários, Organizações ambientais e parceiros internacionais para garantir uma gestão integrada e sustentável desta infra-estrutura estratégica”.






